Mike Pompeo afirmou que Cuba e Venezuela tentam sequestrar protestos democráticos na América Latina; 'nós trabalharemos com governos legítimos para prevenir que protestos se transformem em tumultos e violência' , disse.

Mike Pompeo fala em universidade em Louisville, Kentucky, nesta segunda (2) AP/Timothy D.

Easley) O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou nesta segunda-feira (2) que Cuba e Venezuela tentam sequestrar protestos democráticos na América Latina, e prometeu que Washington vai dar apoio aos países da região para evitar que o descontentamento se transforme em tumultos. Pompeo é a principal autoridade de relações internacionais dos EUA. Ele fez as declarações durante um discurso no Kentucky.

“Nós, na gestão Trump, vamos continuar a apoiar países que tentam evitar que Cuba e Venezuela sequestrem esses protestos, e nós trabalharemos com governos legítimos para prevenir que protestos se transformem em tumultos e violência que não refletem a vontade democrática do povo”, afirmou. Entenda, abaixo, alguns dos conflitos que marcaram a América Latina em 2019. Pompeo também pediu paciência para a política dos EUA em relação à Venezuela.

Ele citou as iniciativas até agora: sanções econômicas, esforços contra cartéis de drogas e tentativas diplomáticos para aumentar a pressão contra o regime de Nicolás Maduro.

Esse conjunto de medidas vai eventualmente ser bem-sucedidas, disse ele. As turbulências na América Latina Bolívia, Chile, Equador, Peru, Paraguai e Colômbia registraram manifestações populares, distúrbios políticos e confrontos em 2019. Bolívia Em 20 de outubro, Evo Morales foi eleito em primeiro turno na Bolívia, mas protestos e denúncias de fraude na votação aumentaram a tensão no país.

Evo perdeu apoio dos militares, que pediram sua saída.

Ele renunciou à presidência no dia 10 de novembro. A segunda-vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, se autoproclamou presidente interina e convocou novas eleições. Chile A onda de protestos teve início no Chile em setembro, após um aumento de 30 pesos (equivalente a R$ 0,17) no preço das tarifas do metrô de Santiago.

Milhares de pessoas derrubaram portões, quebraram catracas e passaram sem bilhete pelos controles de acesso.

A polícia revidou com bombas de gás lacrimogêneo.

Os protestos tiveram uma escalada com saques e depredações. O governo decretou estado de emergência, e o exército foi às ruas.

O presidente Sebastian Piñera suspendeu o aumento da tarifa do metrô e instaurou uma reforma constitucional, mas os protestos continuam. Equador O país enfrentou em outubro 11 dias de violentos protestos e estradas bloqueadas depois que o presidente Lenín Moreno anunciou o fim de um subsídio aos combustíveis que já durava 40 anos, causando um aumento de até 123% nos preços.

A medida é parte de um pacote de ajustes para cumprir metas acertadas com o FMI. Em reação às primeiras manifestações, o governo decretou "estado de exceção" e, posteriormente, transferiu a sede do governo do Equador de Quito para a cidade costeira de Guayaquil.

As medidas não contiveram as manifestações.

Os distúrbios deixaram sete mortos, 1.340 feridos e 1.152 presos, segundo a Defensoria Pública.

No dia 14 de outubro, o presidente revogou a medida que cortava o subsídio. Colômbia Líderes trabalhistas e estudantis da Colômbia convocaram protestos que duraram mais de uma semana.

Eles têm reclamações sobre possíveis alterações nas leis tributárias, trabalhistas e previdenciárias que estejam no legislativo ou que estejam em desenvolvimento.

O presidente Iván Duque propôs um "diálogo nacional" que duraria até março, o que foi rejeitado pelos manifestantes. Peru No fim de setembro, o presidente do Peru, Martín Vizcarra, após uma derrota no Congresso, resolveu dissolver a legislatura e convocou novas eleições -- o que a lei permite.

Em resposta, os congressistas chegaram a votar uma suspensão do líder executivo e nomearam a vice, a parlamentar Mercedes Aráoz, para ocupar seu cargo.

Ela, entretanto, renunciou ao posto, e Vizcarra permaneceu na presidência.

Manifestantes apoiaram a decisão de fechar o Congresso, em meio à crise de credibilidade da classe política por causa do escândalo ligado à Odebrecht no país. Paraguai O governo assinou com o Brasil um documento em que se comprometia a comprar energia mais cara do que o habitual da Usina de Itaipu, que pertence aos dois países.

Em decorrência disso, em agosto, o Paraguai mergulhou numa crise política, funcionários em cargos importantes caíram e o presidente Mario Abdo ficou ameaçado de ser submetido a um processo de impeachment.

Houve manifestações pelo país, principalmente na capital Assunção. O acordo firmado em maio, sem divulgação, foi cancelado oficialmente, e a tensão diminuiu.

Um grupo governista que havia aderido à proposta de impeachment da oposição acabou desistindo.