Uma unidade da tropa de choque da polícia de Cochabamba, no centro da Bolívia, iniciou motim nesta sexta-feira (8).

O grupo acusa o comandante da corporação contra manifestantes que pedem renúncia do presidente Evo Morales – reeleito para um quarto mandato consecutivo após eleições contestadas por oposicionistas. "Estamos amotinados", disse, lacônico, um policial com o rosto coberto a jornalistas no quartel-general da Unidade Tática de Operações Policiais de Cochabamba (Utop).

"Vamos estar com o povo, não com os generais", disse outro, que tampouco se identificou.

Imagens de TV mostraram ao vivo cerca de 20 policiais no alto do edifício do quartel da polícia Utop, agitando uma bandeira boliviana, enquanto dezenas de jovens opositores se amontoavam nos arredores, saudando-os da rua. Os manifestantes estouraram fogos em um ambiente festivo e içaram em um mastro uma bandeira boliviana – vermelho, amarelo e verde –, entoando o hino nacional. Nas últimas horas, circularam versões – segundo o jornal "Los Tiempos de Cochabamba" – sobre queixas e reivindicações de militares contra o comandante da polícia local, Raúl Grandy, de maus-tratos e ter se inclinado a favor de manifestantes governistas durante os confrontos de rua contra opositores. Violência na Bolívia Confrontos na quinta-feira terminaram com ao menos um morto e de 80 a 90 feridos.

Segundo versões extraoficiais, os policiais receberam ordens de Grandy de reprimir aos manifestantes da oposição e favorecer o grupo de seguidores do presidente Morales. Por outro lado, o comando policial nacional nomeou como novo comandante da Polícia de Cochabamba o coronel Javier Zurita. A Bolívia vive a terceira semana de violentos protestos, com greves e bloqueios de ruas, contra a reeleição de Evo para um quarto mandato.